A Raiva

 

Introdução

      É uma doença infecciosa aguda que acomete mamíferos (homens e animais),

causada por um vírus que se multiplica e se propaga - via nervos periféricos -

até o sistema nervoso central, de onde passa para as glândulas salivares,

nas quais também se multiplica.
      O prognóstico é fatal em todos os casos e representa um sério problema

de saúde pública.
      A doença expõe grande número de pessoas e animais ao risco de

contaminação e os custos necessários para o seu controle ou erradicação são elevados.

 

 

Agente etiológico e suas propriedades

      É um vírus RNA, pertencente à família Rhabdoviridae, gênero Lyssavirus.

Em sua constituição encontram-se 5 proteínas, sendo que a glicoproteína

do envoltório viral é o único antígeno capaz de induzir síntese de

anticorpos neutralizantes no hospedeiro, conferindo proteção à doença.
      O vírus rábico é inativado por diversos agentes físicos e químicos, tais como:

radiação ultravioleta, detergentes, agentes oxidantes, álcool, compostosiodados,

enzimas proteolíticas e raio X. É sensível aos ácidos com pH<4 e às bases com pH>10.

É inativado pelo calor, sobrevive 35 segundos a 60°C, 4 horas a 40°C e vários dias a 4°C.

Modo de transmissão

      A forma mais comum de transmissão é através de contato com saliva

de animal raivoso, seja por mordeduras ou lambeduras de mucosa ou

de pele com solução de continuidade. As arranhaduras também têm potencial

de contaminação, devido à salivação intensa dos animais doentes,

que muitas vezes contaminam suas patas. O contato indireto não é considerado

veículo de transmissão, mas há pouca discussão a este respeito na literatura.

Outras formas de contágio, embora raras, são: transplante de córnea,

via inalatória, via transplacentária e aleitamento materno. Teoricamente,

é possível a transmissão de raiva por contato íntimo intradomiciliar ou em

unidades de saúde através de secreções infectantes. Entretanto,

não há casos registrados com essa epidemiologia.
      A fonte de infecção é o animal infectado pelo vírus rábico.

Em áreas urbanas, é principalmente o cão (quase 85% dos casos),

seguido do gato. Em áreas rurais, além de cães e gatos, morcegos,

macacos e mamíferos domésticos como: bovinos, eqüinos, suínos, caprinos, ovinos.

Os animais silvestres são os reservatórios naturais para animais domésticos.


 

 

Período de incubação

      No homem, varia de 2 a 10 semanas, em média 45 dias. Porém, há relato

na literatura mencionando um período de incubação de até 6 anos.

Depende da quantidade de vírus inoculado, proximidade do sistema nervoso central

e gravidade da lesão. Em animais silvestres este período é bastante variável,

não havendo definição clara para a grande maioria deles.


 

 

Período de transmissibilidade

      Ocorre antes do aparecimento dos sintomas e durante o período da doença.

No cão e gato este período se inicia de 5 a 3 dias antes dos sintomas.

 

Quadro clínico no homem

      A doença começa com um período prodrômico de sintomas inespecíficos,

caracterizados por febre, cefaléia, mal-estar, anorexia, náusea e dor de garganta.

Na maioria dos casos há alteração de sensibilidade no local da mordedura,

como formigamento, queimação, adormecimento, prurido e/ou dor local.

Esse período varia de 2 a 4 dias.
      Posteriormente, instalam-se sintomas de comprometimento do

sistema nervoso central, caracterizados inicialmente por ansiedade, inquietude,

desorientação, alucinações, comportamento bizarro e até convulsões.

As crises convulsivas podem ser desencadeadas por estímulos táteis,

auditivos ou visuais. Em cerca de 50% dos casos costuma haver espasmos de faringe e

laringe após beber ou mesmo desencadeados pela simples visão da água

ou vento no resto (hidrofobia e aerofobia, respectivamente). No homem, são raros

os surtos de agressividade, com tendência de atacar ou de morder,

característicos da raiva furiosa nos animais. Outros sintomas acompanhantes

são hipersalivação, fasciculação muscular e hiperventilação. Esse período dura de 4 a 10 dias.

      Na fase final, instala-se um quadro de paralisia progressiva

ascendente e coma no final da evolução.

Quadro clínico no cão


      Como o cão é a principal fonte de infecção para o homem,

é importante conhecer os principais sintomas da raiva canina.
      O cão, depois de ser mordido por um animal raivoso,

desenvolve a doença num período de 21 dias a 2 meses, em média.

Existem 2 formas de raiva canina: a furiosa e a paralítica,

dependendo da predominância de uns ou de outros sintomas.
      A forma furiosa caracteriza-se por inquietação, tendência ao ataque,

anorexia pela dificuldade de deglutição e latido bitonal, posteriormente paralisia,

coma e morte.
      Na forma paralítica, ao contrário da furiosa,

não há inquietação ou tendência ao ataque, o cão tende a se isolar e se

esconder em locais escuros. Apresenta paralisia de patas traseiras,

que progride e o leva à morte. A duração da doença é de 3 a 7 dias.


 

 

Diagnóstico

      O diagnóstico da raiva é feito através do quadro clínico sugestivo

e da história clínica do paciente com antecedente de mordedura ou

outros tipos de exposição. No diagnóstico da raiva humana,

existem várias técnicas laboratoriais para identificação de

antígenos ou anticorpos específicos da doença, tais como:

reação de imunofluorescência direta, imunofluorescência indireta,

soroneutralização e prova biológica. Os materiais a serem examinados incluem:

sangue, saliva, bulbo piloso, esfregaço da córnea e tecido nervoso,

sendo que este último é retirado do material da necrópsia.

 

Tratamento

      Uma vez instalada a doença não há tratamento específico,

e a letalidade é de 100%. O tratamento paliativo visa minimizar

o sofrimento do paciente.


 

 

Tratamento profilático

      A profilaxia consiste na aplicação de uma série de doses de vacin
a

anti-rábica por via intramuscular, na região do deltóide,

durante o período de incubação da moléstia. A administração de soro

anti-rábico está indicada nos casos com forte suspeita de contaminação

com o vírus rábico.

Esses tratamentos devem ser feitos de acordo com a orientação médica.

      A vacina anti-rábica utilizada atualmente no Brasil é do tipo Fuenzalida & Palácios.

Ela é preparada através do tecido nervoso de camundongos lactentes infectados

com vírus rábico, o produto é inativado por radiação ultravioleta ou betapropriolactona.

A vacina deve ser mantida em refrigerador de 4 a 8°C.

      Durante o tratamento podem ocorrer reações às vacinas anti-rábicas e elas

podem ser locais, gerais ou neurológicas. As reações locais manifestam-se por dor,

prurido e eritema no local da aplicação, com ou sem aumento de gânglios linfáticos locais.

As reações sistêmicas são dores musculares ou articulares, dor de cabeça,

febre, insônia e palpitação. Em casos mais graves: urticária e choque anafilático.

As reações neurológicas são raras, estão relacionadas ao número de doses

aplicadas e podem ser classificadas em 4 tipos: encefalomielite, mielite,

neurite e paralisia ascendente.

      Outro tipo de vacina é o de cultivo celular. O vírus rábico foi adaptado para

ser cultivado em células diplóides humanas, células de rim de hamster e rim de macaco.

Esta vacina apresenta alto poder imunogênico, eficácia elevada e baixo índice

de efeitos adversos, mas tem, como inconveniente, o alto preço.
      O soro anti-rábico é obtido de equídeos hiperimunizados com vírus rábico inativado.

A aplicação se dá em dose única, por via intramuscular, em locais diferentes

da aplicação da vacina e parte da dose deve ser infiltrada ao redor do ferimento.

As reações ao soro, que não são incomuns , podem ser divididas em: reações anafiláticas,

reações anafilactóides e doença do soro.


Conduta frente à mordedura

  1. Limpeza do local com água e sabão e desinfecção com álcool ou soluções iodadas,                                                                                                      imediatamente após a agressão.
  2. Quando o animal agressor for cão ou gato deve-se observá-lo durante 10 dias                                                                                                 para identificar qualquer sintoma sugestivo de raiva; se possível, o animal suspeito                                                                                                                  deve ser sacrificado e sua cabeça ou seu cérebro deve ser enviado para o                                                                                               exame laboratorial. 
  3. Procure orientação médica, nos postos de atendimento. Na Capital:                                                                                                  Prontos Socorros Municipais . No interior: Centros de Saúde.


Medidas de controle

 

  1. Tratamento preventivo
  2. Vacinação de cães e gatos anualmente
     
  3. Captura dos cães errantes, responsáveis pela transmissão da raiva                                                                                                       ao cão doméstico e ao homem
  4. Diagnóstico laboratorial dos casos suspeitos
  5. Vigilância Epidemiológica
  6. Orientação educacional para a população em geral, a fim de esclarecer                                                                                                               sobre o perigo da doença e seu modo de transmissão.                                                                                                                                                 
  7. Evitar aproximação de animais estranhos, evitar tocar em animais feridos e                                                                                                                                                                                                                                              não perturbá-los quando estiverem comendo, bebendo ou dormindo.

Fonte> Instituto Pasteur.